quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um dia perfeito...

















Negrito

































































Segunda-feira, 6 de setembro de 2010. Dia perfeito.

No sábado havia conhecido Virgínia F., arquiteta de São Paulo, brasileira, que combinou de fazermos algo na segunda-feira. Quando ela retornou ao Hostel – depois de uma viagem aparentemente agradável por Mariana e Ouro Preto – combinamos de sair e conhecer Belo Horizonte. Como já disse anteriormente, existem escassas opções em BH em matéria de turismo. Nossa idéia foi conhecer o centro, especificamente o mercado público. E chegando lá, o odor de um mercado público fez-se perceber logo de cara. Logo de cara.

Não tão bonito quanto o mercado público de Porto Alegre, com seu estilo arquitetônico da década de cinquenta, o mercado público de BH oferece todo tipo de souvenir possíveis. Para la memória de Minas…

Disse para Virgínia que ato de coragem era comer em algum dos botecos recheados de pessoas bebendo cerveja e comendo frituras. Todo tipo de frituras. Escolhi um em especial, depois de perceber que o chão era xadrez. Nesse estabelecimento, onde as pessoas tinham que ficar um pouco encolhidas, tomamos uma cerveja e comemos alguma coisa com frango, muita cebola e mais alguma coisa que desconheço. Comida apimentada, sem sombra de dúvidas. O nome do boteco? Bar Mercado Central. Inaugurado em 1964. Fico me perguntando quantas vezes agentes do Serviço Nacional de Informações (SNI) se fantasiaram de boêmios para perseguirem os subversivos, naqueles anos de Castello Branco, o “ brando”. No mínimo se assemelhariam a um bando de idiotas tentando imitar agentes da CIA.

Passeamos.

Vi um porco inteirinho pendurado.

Vi cachaças e panelas de todos os tipos possíveis.

Vi um cavalo simpático para crianças.

Depois disso decidimos visitar o Parque das Mangabeiras. Caminho longo até lá. Tomamos um ônibus que seguiu pela Avenida Afonso Pena e chegamos, antes, na chamada Praça do Papa. Chamada de Praça Israel Pinheiro, é uma importante praça localizada no bairro das Mangabeiras, à 1100 metros de altitude. Mas ninguém a conhece por esse nome. Tudo o que se sabe é que, em 1980, o sucessor de São Pedro, o Patriarca de Roma, exclamou “que belo horizonte”. Sim, acreditem, por mais piegas que isso possa parecer.

Quando descemos do ônibus percebemos que teríamos que subir. Só um pouquinho. Uma subida interminável, que começava no Papa e acabava no Parque das Mangabeiras.

Como uma boa cristã, eu também apreciei, ao meu modo, esse “belo horizonte”.

Na caminhada passamos por casas de alta classe média e também por algo que inicialmente parecia um centro psiquiátrico abandonado. É óbvio que eu fiquei curiosa o suficiente com aquele enorme prédio branco, retangular, com janelas velhas da década de 70, sem que uma viva alma – senão dois seguranças nas cercanias – estivesse perto. Tinha as iniciais com os dizeres: Instituto Hilton Rocha. Na hora, pensei: é claro que é uma clínica psiquiátrica. No mesmo momento liguei meu celular, procurei na internet, especificamente no google, o significado de Instituto Hilton Rocha.

O Instituto Hilton Rocha não era uma clínica psiquiátrica. É um dos maiores centros oftalmológicos da América Latina, pioneiro no transplante de córnea, criando uma nova técnica de aproveitamento de partes da mesma córnea em dois pacientes.

Eu e Virginia erramos; mas, em contrapartida, pelo que vimos com nossos próprios olhos, daria para dizer o seguinte: se tivermos algum problema de visão, nunca nos levem até esse lugar.

Chegando no Parque das Mangabeiras – algo como a Redenção de Porto Alegre, mas fechado, com animais e espécies vegetais – tivemos a melhor notícia do dia: fechado na segunda-feira.
Mas valeu pela aventura. Sem sombra de dúvidas.
Descemos no Palácio das Artes e tomamos um café com água com gás na cafeteria super-aconchegante do local. Aliás, como um todo, o Palácio em si é super agradável ao final de uma tarde.
Passamos rapidamente no Conservatório Mineiro de Música, desejava ver horários de espetáculos. Subimos até a Savassi, ingressamos na praça da Liberdade, tiramos fotos – inclusive do prédio do Niemayer - e fomos ao Pátio Savassi Shopping tomar mais café e água. Comprei um livro perfeito para minha dissertação – quando terminá-lo farei uma resenha, mas é obra indispensável sobre o chamado Ministério do Silêncio, os grandes responsáveis (serviço secreto brasileiro) pelos arquivos ditatoriais encontrarem-se indisponíveis para a sociedade. Livro perfeito mesmo, que jamais encontraria deliberadamente no Rio Grande do Sul. Minas tem disso: ganhei um legítimo presente com a compra de um livro fundamental.

Há um porém: antes de entrarmos no shopping eu disse para Virgínia que nunca havia visto na vida inteira uma farmácia vender ração para cachorros. Pois bem, eles também ficam doentes e com fome. Do lado do Pátio Savassi Shopping há uma farmácia que oferece tal. Altamente qualificada.

Por fim, fomos assistir Karatê Kid 3.

Na minha sincera opinião pessoal, a continuação tem suas falhas em relação às duas primeiras versões da década de oitenta, que marcaram minha infância de sessão da tarde sentada no sofá assistindo o karatê como uma influência espiritual na vida de um jovem. Mas não posso negar: não tenho nenhuma dúvida do merecimento da filmagem de 2010. É ótimo, divertido, lindo, de uma sensibilidade rara e, se tivesse que dar uma dica de filme para alguém que precise perceber que, depois que se cai, se levanta, eu recomendaria esse filme. Conclusão: Jaden Smith, filho do Will Smith, é absolutamente idêntico ao pai. Até mesmo nas suas caretas.

O dia foi perfeito.

Infelizmente Virginia foi embora. Ganhei uma amizade incomparável. Prometi visitá-la em San Pablo.

6 comentários:

  1. 1) Tu nunca tinha visto um porco inteiro exposto?
    2) Eu quero o livro emprestado.
    3) Eu quero ir no conservatório.
    4) "praça do papa?" pff
    5) por último, mas não menos importante: estou com saudades de ti.

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  2. Setembro é um mês "bão" pra se começar um blog aninha!
    Vai fazer tua cabeça desaguar, vais ver!
    Não li os textos ainda, dia horripilante, mas lerei.
    beijao

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  3. Querida! Adorei!
    Te espero em SP!!!

    Beijos mil!

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  4. aii amei tuas aventuras loucas. e eh bem tua cara tornar um prédio bonzinho num centro psiquiátrico! ahahahahaha mas tu tá certa, na foto ele é bem 'creepy', como os ingleses diriam. :)

    espero que tu fale aqui da tua viagem pra london comigooooo!!! velha amiga de tempos que a gente tinha tempo pra assistir a sessão da tarde.

    ps: muito bem escrito!, ainda que vindo de uma pessoa que mal sabe escrever em português no momento - eu! ehehehe

    posta mais q lerei!

    bjosss :***

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  5. ah meu e bota coragem de comer naquele mercado público. comi com a minha amiga um sushi no de porto alegre, mas se o de BH é mais feio que o de porto, jesusssss, acho que eu não sairia viva! xD

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  6. Já viste aquela feira ali no centro, aos domingos? O melhor são os temperos, uma miríade de cheiros, cores e gostos...lembra o carnaval.E ouro preto? há um restaurante ótimo com almoço no jardim e pratos enormes prá comer como se fosse um recém casado. A foto do karate lembraram-me as nossas no Arteplex. Cadê? Bjs, saudades.

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